Unha encravada

Alexandre Redondano e sua esposa Stella Maris
A vida nos prega peças, mas também nos oferece amigos para a vida toda. Amigos que mesmo que não estejam presentes no nosso cotidiano são guardados em um lugar precioso do coração.
No final da década de 70 e início dos anos 80 ganhei uma dessas amizades que podemos chamar de eternas. Era o tempo de ouvir a boa música de Belchior, Chico Buarque, Bee Gees e tantos outros, além da Rádio Mundial do Rio de Janeiro.
Minha vida seguia seu rumo e nos finais de semana o programa era jogar futebol no campo da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil). E, apesar do futebol começar lá pelas quatro da tarde, eu gostava de chegar antes para bater uma bolinha e fazia isso sempre em companhia de um amigo que a vida me deu.
A gente gostava de chegar mais cedo para esquentar o esqueleto antes de encarar o futebol e era no campinho ao lado da piscina que a gente costumava bater nossa bolinha. Era divertido e servia para descontrair, mas eram raras as vezes em que meu companheiro de futebol não sentia um problema que o afligia de forma intermitente.
Uma unha encravada no dedão do pé era o seu tormento e quando o chute era dado com aquela parte do pé direito a dor vinha na hora. Depois que a dor passava a gente continuava nosso bate-bola e acabava dando risada da situação.
Embora fosse um cara mais reservado, que gostava de ficar na sua, Alexandre Redondano sempre foi uma pessoa com quem eu me identifiquei. Inteligente, de bom coração, sabia dar valor às boas amizades.
No início de 78, lembro que estávamos em São Paulo para enfrentar os vestibulares e combinamos de ver o filme Nasce Uma Estrela, com Barbra Streisand e Kris Kristofferson nos papéis principais. Depois do filme eu ia voltar para o apartamento onde estava e ele tinha que aguardar até cinco da manhã para pegar o ônibus para Pouso Alegre (MG), onde prestaria vestibular para Medicina.
Não pensei duas vezes e, mesmo sabendo que teria que acordar cedo no dia seguinte, disse que lhe faria companhia até a hora dele embarcar. E assim fizemos, rodamos o centro da Capital paulista até dar a hora do seu ônibus para a cidade onde se tornaria médico e conheceria o amor de sua vida, sua esposa Stella Maris Ribeiro Redondano.
Hoje, apesar de residir em Itatiba, onde exerce a profissão que escolheu, vez ou outra conversamos e combinamos de um dia colocar o papo em dia na mesa de um bar com um cerveja bem gelada. E, quando esse dia chegar, com certeza teremos muita coisa para relembrar e para contar sobre nossa caminhada nessa vida.
E a unha encravada, que já deve ter sido curada, será um dos assuntos principais. Amizades como essa a gente guarda com a certeza de que é uma das boas coisas que levaremos dessa vida.

O pó da avenida

Início da Avenida Brasil, ainda sem o asfalto
e a ligação com a Comendador João Cintra
Nasci e fui criado ali no início da Rua Comendador João Cintra, pertinho de onde começa a Avenida Brasil. Ali vivi boa parte da vida e dali eu guardo lembranças que jamais serão apagadas da memória.
De vez em quando viajo por aquele tempo e lembro de acontecimentos que me fazem recordar pessoas e passagens.
A Avenida Brasil, por exemplo, até o início dos anos 80, era de terra, não havia asfalto. A rua de casa era pavimentada com paralelepípedos disformes e que arrancavam a ‘champa’ do dedão de muita gente durante nossas peladas noturnas.
E, por ser de terra batida, a Avenida Brasil era puro pó em época de pouca chuva. As donas de casa do início da minha rua sofriam com a poeira que juntava sobre os móveis.
E algumas peculiaridades vivem povoando minhas lembranças daquele tempo, trazendo de volta costumes que nos dias de hoje estão em desuso. O tempo passou, os costumes mudaram, mas as lembranças servem para resgatar aqueles momentos.
Lembro que o Luciano Venturini, que tinha uma oficina que colocava carroceria em caminhões no início da avenida, quando subia para sua casa passava defronte a minha batendo os pés com força na calçada para tirar o pó. Quando ouvíamos aquele barulho todo já sabíamos que era ele que estava passando.
Lembro também que a cada enchente no ribeirão da Penha todos se dirigiam até a serraria dos Brunialti, bem ali no início da avenida, de onde dava para enxergar a movimentação da água, que transformava o ribeirão em um rio caudaloso e amedrontador. O lugar onde ficava a enorme serra de cortar toras mais parecia uma arquibancada, tal o número de pessoas ali aglomeradas.
Esse tempo já vai longe, como o pó da avenida. Ficaram as lembranças, o som dos pés batendo na calçada e a água rio abaixo com sua fúria.

Um certo dia 5 de julho


A seleção de 82, que não ganhou a Copa, mas encantou o mundo
Parece que foi ontem, mas já se passaram 36 anos. Conhecido como a Tragédia do Sarriá, o dia 5 de julho de 1982 é sempre lembrado pelos brasileiros, principalmente em ano de Copa.
Naquela época o apelo popular de uma Copa do Mundo era muito maior, mais contagiante. Talvez porque não houvesse tanta exposição dos jogadores na mídia e redes sociais.
Era um tempo em que os jogadores usavam chuteiras pretas, não tinham cabelos que mudavam o penteado a cada jogo e não exibiam tatuagens pelo corpo inteiro. Resumindo, era o futebol em sua verdadeira essência, sem frescura.
Naquela época eu trabalhava na agência de Águas de Lindóia da Caixa Federal e lembro bem daquele dia 5 de julho. Um dia que nunca mais esquecerei por tudo que aconteceu antes, durante e depois do jogo.
Como não daria tempo de voltar para casa a tempo de ver o jogo entre Brasil e Itália, que valeria uma vaga na semifinal do Mundial disputado na Espanha, um aparelho de TV foi instalado na agência para que pudéssemos assistir. Estava tudo combinado, era só comemorar mais uma vitória brasileira.
Mas o dia já começou conspirando contra e nada deu certo naquele 5 de julho. Como o dia 2 é feriado na cidade e caiu na sexta-feira, o movimento na agência triplicou na segunda-feira.
Eu estava trabalhando como caixa e só consegui sentar a frente da TV já no meio do segundo tempo, quando a Itália vencia por 2 a 1, pouco antes de Falcão empatar em um chute de fora da área.
Mas, não deu tempo nem de comemorar e seis minutos depois Paolo Rossi fez o seu terceiro gol e colocou a Itália outra vez na frente. Um empate bastaria à seleção brasileira, mas o goleiro Dino Zoff acabou de vez com o sonho ao defender uma cabeçada em cima da linha.
Mesmo tendo um time considerado mágico, com craques como Falcão, Sócrates, Zico, Cerezzo, Éder, Leandro, Júnior e Oscar, o time brasileiro amargou uma derrota por 3 a 2 e não foi adiante. A Itália seguiu em frente e acabou ficando com o título naquele ano.
Mas, apesar da tristeza pela derrota, a vida tinha que seguir em frente. Quando já estávamos preparando o fechamento da agência aconteceu um fato que serviu para nos dar alguns momentos de descontração.
O prédio que abrigava a agência estava em construção e os andares superiores em fase de acabamento. Depois do jogo os funcionários da obra já estavam no batente novamente, apesar da derrota, e deviam estar tão ou mais chateados que nós, pois tinham que voltar ao trabalho.
Um grupo de jovens que passava pelo local, talvez para provocar as pessoas, começou a gritar Itália e aí veio o troco lá do céu, ou melhor, de cima do prédio. Quando passavam pela calçada, um dos trabalhadores da obra, enfurecido com a provocação, não pensou duas vezes e despejou a lata de reboque na cabeça dos provocadores.
Aquilo serviu para quebrar por uns instantes a tristeza pela derrota, tal a forma inesperada como tudo ocorreu. Sempre que me lembrar daquela amarga derrota, com certeza, aquela cena hilária irá voltar à memória.


Um apaixonado pelo futebol

Mineiro sempre foi um apaixonado pelo futebol
e sabia muito, dentro e fora de campo
Quando nasceu na vizinha cidade mineira de Jacutinga, em 8 de dezembro de 1951, o menino Aparecido Roberto Vieira nem imaginava que cresceria, formaria família e fincaria suas raízes em outra localidade, que embora próxima de sua cidade natal, pertencesse ao estado de São Paulo. Quando nasceu, o menino Aparecido Roberto nem imaginava que, ao se mudar para Itapira, passaria a ser conhecido como Mineiro por causa de suas raízes.
Naquele dia de dezembro, consagrado a Nossa Senhora da Imaculada Conceição, começaria a vida desse menino que sempre teve uma grande paixão na vida: a bola de futebol. Desde pequeno já dava seus chutes e sonhava em, um dia, ser jogador de futebol.
Torcedor do São Paulo, aquele menino sabia, de cor e salteado, a escalação das grandes formações do seu querido Tricolor. E, porque não, dos outros times também.
Sua carreira no futebol começou como a de muitos garotos daquela época. Foi no Clube Atlético Itapirense, comandado pelo Benedito Valério, o Jaú, que iniciou seus passos no esporte.
De lá para o time profissional do XI de Agosto foi um pulo, assim como para as fileiras do Itapira Atlético Clube, do Clube Atlético Guaçuano, do Barretos e dos mogimirianos Peixe e Clube Atlético Mogiano, além de integrar o elenco campeão paulista da Terceira Divisão pela Sociedade Esportiva Itapirense em 1969, aos 17 anos.
No futebol amador da cidade Mineiro desfilou sua categoria, seus lançamentos e chutes certeiros e potentes defendendo Calunga, Olaria, Duque de Caxias, Cubatão, Santa Fé e Flamenguinho, entre outros. Mas foi no Itapira Atlético Clube que deixou sua marca para a história com um gol antológico, que classificaria o time grená para a fase seguinte do Campeonato Paulista.
Corria o ano de 1979, Mineiro era o ponta-esquerda do time e, antes do jogo, prometera ao pequeno filho Fabrício, seu primogênito, que faria um gol para ele. Jogo duro contra o Jabaquara no Chico Vieira e Mineiro foi à linha de fundo para o cruzamento, mas acabou decidindo pelo chute, mesmo sem ângulo. A bola, caprichosamente, bateu na linha da pequena área, ganhou efeito e enganou o goleiro adversário. Estava paga a promessa ao filho e garantida a classificação itapirense.
Esse tempo já vai longe. Hoje, Mineiro já não dá seus chutes na velha paixão por esse mundo. No dia 20 maio de 2017 foi escalado para jogar no time lá de cima e deve estar fazendo seus gols e lançamentos no andar superior.
Levou com ele sua simplicidade, o amor pelo futebol e seu imenso conhecimento sobre esse esporte que move grande parte dos brasileiros. Quem conversava com ele sabia que estava diante de um apaixonado por futebol.

Pé de pobre não tem número


Dessa vida nada se leva, apenas as boas ações, as amizades sinceras e os lugares que enchem nossos olhos. Viajar nem sempre é possível, amizades sinceras são cada vez mais raras, mas as boas ações podemos praticar sem medo e sem dó.
Conheço muita gente que se sente constrangido quando alguém diz: ‘tenho algumas roupas que foram dos meus filhos e não servem mais, quer para você?’. Ao invés de entender que aquela pessoa de bom coração está querendo ajudar, se sente ofendida pela oferta.
Desde que minha pequena passou a frequentar a escola, primeiro na Vivência e depois no Anglo, raras foram as vezes que precisei comprar uniforme. Sem que eu imaginasse, muitas vezes chegava com ela na escola e lá vinha uma funcionária com uma sacola que alguém tinha deixado para mim repleta de peças de uniforme.
Muitas vezes nem descobri o autor da ação para poder agradecer, mas no meu íntimo esse agradecimento era feito, pois eu sabia que aquela pessoa era portadora de um grande coração. E nada mais justo que eu pedisse a Deus para que a recompensasse.
Quantas e quantas vezes apertaram a campainha de casa e quando desci para atender era algum amigo ou pai de algum colega de escola dela com sacola de roupas e brinquedos para minha pequena. E não foram poucas as vezes que isso ocorreu.
Quem conhece a luta que travamos para enfrentar a vida de frente sabe que todos devem ser solidários. E eu também procuro fazer a minha parte.
Lembro que quando chegou o momento de trocar de escola e, consequentemente, de uniforme, tudo que pudesse servir para outra criança levei para ser encaminhado. É assim que deve ser e é assim que sempre será.
A vida não é uma estrada feita apenas de chão liso, sem pedras ou buracos. Quando estamos pisando em terreno firme, devemos sempre nos preparar para o que vem pela frente ou para ajudar quando alguém está em dificuldade para transpor um obstáculo.
Nunca sinta vergonha de ser ajudado, nunca se sinta ofendido se alguém pensou em você e ofereceu algo que não lhe serve. Pegue com as duas mãos e agradeça com o coração, pois um dia você também vai poder oferecer algo que não lhe serve para alguém que esteja necessitando, afinal, pé de pobre não tem número.

O mar é minha praia


Os mares nórdicos, que sonho em conhecer desde menino
Sei lá, mas acho que eu devia ter nascido lá na Noruega, próximo dos mares do Norte. Sempre tive afeição ao mar e um dia, se Deus permitir, ainda quero conhecer aquele lugar.
Sempre tive essa afeição pelas coisas do mar. Desde criança sempre gostei do cheiro da praia, daquela brisa marinha, de pisar na areia e sentir a energia que a água salgada nos dá.
Durante toda minha existência, sempre que me deparava com um filme que tinha o mar como local onde se passava toda a trama, lá estava eu de olhos grudados na tela. Acho que por isso sempre gostei da série Viagem ao Fundo do Mar.
Toda vez que tenho oportunidade de descer a serra e ver o mar de perto, a primeira coisa que faço é descer até a praia, seja a hora que for, para sentir aquela brisa que vem do mar, aquele cheiro inconfundível de água salgada. É o momento em que minhas energias são restabelecidas e se tivesse que voltar para casa em seguida já me sentiria gratificado só de sentir a energia dos mares.
Se olhar para trás sei que já caminhei muito mais do que tenho para caminhar, mas mesmo assim ainda carrego comigo a vontade de um dia estar lá, naqueles mares gelados do Norte, olhando para as águas e sentindo que tudo o que sonhei uma vida inteira está se realizando. Aí sim estarei em paz, com sentimento do desejo de uma vida inteiro realizado.
Se na minha infância minha mãe costumava falar que eu devia ter nascido lá na usina, na casa do Virgolino, que a cegonha tinha me deixado na casa errada, por causa das minhas vontades, o que ela diria se soubesse desse meu desejo guardado a sete chaves de um dia estar lá longe, nos mares do Norte, realizando um sonho de uma vida inteira. Não faço ideia do que ela iria pensar, mas se pudesse, com certeza iria fazer de tudo para que eu pudesse realizar.
Desejos todos nós temos, sonhar todos nós podemos. Se um dia for possível realizar pelo menos um desses sonhos já me darei por feliz.

Exemplo de retidão e competência

Murillo Arruda foi exemplo de retidão e competência
Muitas pessoas passam por esse mundo despercebidas, outras constroem sua história e, quando partem, deixam um legado de boas ações e ensinamentos. Murillo Arruda se enquadra no segundo exemplo, com toda certeza.
Com seu jeito manso e educado, porém recheado de saber e educação, foi um exemplo a ser seguido nos diversos setores em que atuou. E foi dessa forma que deu sua contribuição nos inúmeros segmentos que se fez presente.
Trabalhei com ele quando, ainda adolescente, passei no concurso e ingressei no quadro de funcionários da Usina Nossa Senhora Aparecida. Ali, no escritório da empresa, aprendi a admirar aquele homem que, embora estivesse sempre presente, muitas vezes passava imperceptível, por se debruçar nos livros e se ocupar de seus afazeres.
Filho do casal Maria Rosa e Raul Arruda, nasceu em 19 de fevereiro de 1925 e passou pelos bancos escolares do Grupo Escolar Dr. Júlio Mesquita, onde concluiu o ensino primário. Depois formou-se no colegial no Ginásio do Estado, que mais tarde passaria a ter o nome de IEESO (Instituto de Educação Estadual Elvira Santos Oliveira).
Antes de ingressar na faculdade, frequentou também a Escola Técnico de Comércio e formou-se em Direito pela PUCC (Pontifícia Universidade Católica de Campinas) em 1957. Com o diploma na mão fez o exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e ingressou na mesma em 22 de março de 1960.
Na área profissional, Murillo Arruda foi diretor da Secretaria e assessor jurídico da Câmara Municipal durante quase 30 anos, de 48 a 76. Também exerceu sua profissão com muita retidão em empresas como Irmãos Caio, Concessionária Ford de Mogi Mirim e Usina Nossa Senhora Aparecida, além de lecionar na Escola Técnica de Comércio de 48 até 61.
Apesar de tantos afazeres, ainda encontrou tempo para ser diretor da Fundação Espírita Américo Bairral por longo período, a partir de 1962 até passar para o cargo de vice-presidente do Conselho Curador da Fundação. Também foi presidente da Casa de Repouso Alan Kardec por 14 anos, de 1989 até 2003 e presidiu da Sociedade Esportiva Itapirense na vitoriosa campanha que culminou com o título da 3ª divisão do Campeonato Paulista, em 1969.
Na área política também deixou sua marca, sendo presidente do diretório do PSP (Partido Social Progressista), que foi fundado em São Paulo pelo antigo governador Ademar de Barros. Elegeu-se vereador em 1976, exercendo o cargo de 77 a 82.
Ao lado da esposa Irene Aparecida de Souza Arruda construiu a família e gerou os filhos Vera, Maria de Fátima, Marta Cecília, Maria da Penha e Antonio Carlos, o Tony. Vera, casada com Carlos Henrique Artisiani, também lhe deu os netos Mariah e Raul.
Murillo Arruda passou por esse mundo e deixou sua marca. Construiu sua história alicerçada na retidão, no trabalho e na honestidade. E continua sendo um exemplo a ser seguido por quem o conheceu e teve o prazer de trabalhar ao seu lado.

Três gerações, três emoções

Itapira Atlético Clube de 1985, um grande time e uma bela campanha
No futebol, principalmente, costumamos dizer que certas formações nunca são esquecidas. São aqueles times que marcam época e seja qual for o tempo são sempre lembradas.
Exemplos disso são a seleção de 70 com Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gerson e Rivelino; Jairzinho, Tostão e Pelé. Ou o Palmeiras do início da década de 70 com Leão; Eurico, Luis Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Edu, Leivinha, César e Nei.
E o que dizer da linha famosa do Santos com Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe; ou a seleção de 58, aquela da final contra a Suécia, com Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo. Grandes times, grandes formações, muitas lembranças.
Eu posso afirmar que vivi muitas emoções com formações que nunca mais saíram da memória. Times que ficaram para sempre na lembrança por tudo que representaram.
São três épocas diferentes, três gerações, muitas emoções. E as formações nunca mais serão esquecidas, pelo menos por mim, que vivi tudo isso.
Em 70, quando eu tinha 13 anos, a seleção do ginásio fez história ao chegar às finais do Estado. O técnico era o Clóvis Avancini, o Ná, e o time principal tinha Coradi; Rudyard, Dito Mário, Tato e Sávio; Luís Paulo, Ike e Tonini; Tonelada, Plininho e Emilinho.
Passados 15 anos e um novo time fez história novamente, deixando na memória dos torcedores a escalação que todos sabiam de cor e salteado. Em 85 o Itapira Atlético Clube cravou uma das melhores campanhas do Campeonato Paulista da Terceira Divisão comandado pelo técnico Pedro Paulo da Silva, o Nã.
Mesclando atletas da cidade com alguns importados de cidades vizinhas, tinha um time de respeito, formado por Camilo; Chicão, Toninho Bellini, Gersinho e Ditinho; Cláudio José, Pedro Paulo e Fernando; Ronaldo, Lilico e Chiquinho. Outros nomes também fizeram parte da campanha e também deixaram seus nomes gravados na história como Fernandinho, Dinhão, Tatão, Flávio Boretti, Fran e Alemão.
No ano seguinte, um novo time fez sua parte e cravou sua formação na memória do torcedor. Era o time júnior do Itapira Atlético Clube, que ficou entre os melhores do estado.
O técnico era o José Antonio Sartorato, o Bi, escudado pelo auxiliar Devaldo Cescon, o Pasté. A formação principal é guardada até hoje na memória de quem acompanhou sua participação no campeonato e tinha Flávio; Arouca, Márcio, João Olo e Zé Antonio; Pedrinho Zázera, Diógenes e Claudinho; Tiãozinho, Márcio Belli e Chocolate.
São times distintos, épocas distintas, mas cada um a seu tempo deixou sua formação intacta na memória do torcedor. Eu vivi o time de 70 porque jogava no time de baixo; o de 85 cobri todos os jogos como repórter, o mesmo acontecendo com o Júnior de 86.
Memórias assim valem a pena guardar. Um dia todos irão se lembrar e a recordação daqueles tempos será inevitável, assim como momentos únicos vividos por todos que participaram.


Pula, Futrica

Circo Irmãos Almeida, a alegria de crianças e adultos
Acredito que todo mundo, pelo menos uma vez na vida, já foi ao circo. Desde os mais modestos até aqueles com fama internacional, cada um com suas atrações, palhaços, trapezistas, acrobatas e a magia que só o circo pode proporcionar.
Na minha infância o circo da moda tinha nome e sobrenome: Irmãos Almeida. Um circo feito por uma família e que nos dava o prazer do encantamento e a alegria de poder ver artistas interpretando.
Foram várias as passagens do circo na cidade. Por ser enraizado em Campinas, o circo Irmãos Almeida corria o interior paulista com mais assiduidade do que fazia em outros estados e vez ou outra acabava aportando por aqui.
Eu, como toda criança daquela época, adorava ir ao circo para ver os palhaços, o Fredô – interpretado pelo Alfredo Almeida, irmão do mentor do circo, o Walter de Almeida. Fredô era um palhaço bastante engraçado que puxava uma cadelinha feita de pano cujo nome era Futrica e contracenava com Nhá Tica, personagem encarnada por sua irmã Abegair.
A cada aparição do Fredô e sua Futrica era certeza de boas risadas. Sua espontaneidade e pureza daquela época contrastam com o que vemos hoje nos espetáculos circenses, em que os palhaços, em sua maioria, utilizam muito a linguagem chula que muitas vezes é nociva às crianças.
Mas tinha também as atrações musicais, os cantores e cantoras convidados que sempre engrandeciam o espetáculo. Era só anunciar e o circo lotava para ver as atrações de perto.
O ponto culminante de cada sessão era a peça teatral. Os artistas do circo se vestiam a caráter para interpretar grandes sucessos teatrais como O Cangaceiro, Marcelino Pão e Vinho e muitos outros, que arrancavam lágrimas da plateia.
Os integrantes do circo Irmãos Almeida eram tão famosos por essas bandas que quando o circo chegava tornavam-se as atrações principais nos programas da Rádio Clube. Eram tratados como verdadeiros ídolos pela população.
Hoje tudo isso acabou, o circo Irmãos Almeida não roda mais pelas cidades levando alegria para crianças e adultos. Esse encanto acabou, mas aqueles momentos ficaram gravados na memória de quem viveu aquele tempo simples e puro.

Os frutos do trabalho de um sonhador


Antonio Aparecido Godoy, formador de pessoas
Desde que sua família se mudou para a zona urbana, quando ainda era um garoto sonhador, Antonio Aparecido de Godoy tinha como ídolos dois ícones, cada qual em sua área de atuação. No âmbito político seu ídolo era John F. Kennedy, presidente norte-americano assassinado nos anos 60. Por aqui, sua idolatria se resumia a uma figura ímpar: padre Matheus Ruiz Domingues, que por longos anos coordenou os trabalhos sacerdotais na Igreja Matriz de Santo Antonio.
Talvez, por ter duas grandes personalidades como espelho, aquele jovem sonhador conquistava, degrau a degrau, tudo que sempre almejou para si e sua família. Formou sua família e criou seus filhos de forma digna.
No trabalho dedicou-se por mais de 50 anos à formação de jovens valores para o futebol local. São gerações e gerações de valores descobertos por ele, alguns até com passagem por clubes profissionais.
Mas, apesar da garimpagem executada de forma extenuante por longos e longos anos, desse trabalho o que de mais significativo alcançou foi a formação do caráter desses jovens valores que passaram por suas mãos.
Godoy continuou na ativa, sempre de olho em futuras promessas dentro de campo. Apesar do tempo, não perdeu o jeito para a coisa. Do lado de fora do gramado buscava orientar os jovens para que buscassem o caminho do esporte sem olhar para os atalhos perigosos que a vida lhes oferecia.
Hoje, com certeza, está ao lado de Deus, protegendo sua família e o caminho que as novas promessas deverão trilhar. Sua passagem por aqui jamais será esquecida.

São tantas emoções

O jornalismo me deu a oportunidade de conhecer vários profissionais
Parafraseando o rei Roberto Carlos, já vivi muitas emoções na profissão que escolhi. O Jornalismo meu deu a chance de viver muitos momentos, conhecer pessoas e lugares.
A base do meu trabalho veio da rádio e de jornais locais. Foi aqui no âmbito local que dei meus primeiros passos nessa área que deslumbra e abre horizontes.
Mais tarde pude galgar outros patamares, ocupar posições estratégicas em determinados órgãos de comunicação e, dessa forma, vivenciar experiências ímpares. Tudo isso me fez crescer profissionalmente e também como pessoa.
No jornalismo esportivo conheci muitos ídolos e também profissionais que nem por sonho esperava conhecer. Poder conversar com pessoas como o ex-jogador Tostão; o jornalista Orlando Duarte, que fez carreira na TV Cultura; Chico Pinheiro e Mauro Naves, da TV Globo; os narradores Fiori Gigliotti, da Bandeirantes, e José Carlos Araújo, da Rádio Globo do Rio, entre tantos, foi algo que marcou minha carreira.
O futebol me levou a lugares que nem sonhava em conhecer como Belo Horizonte-MG ou Cali, na Colômbia. Me fez frequentar templos sagrados como a Vila Belmiro, conhecida como a Vila Famosa, por ter abrigado grandes astros, entre eles o maior de todos – Pelé.
Mas, nada se compara com a emoção de falar ao vivo para o Brasil inteiro através de uma rede chamada CBN (Central Brasileira de Notícias), afiliada ao Sistema Globo de Rádio, experiência que me deu uma enorme bagagem profissional. Foi o ponto de crescimento que faltava, pois o aprendizado em uma rede assim é inigualável.
Lembro bem de passagens como as eleições de 2002, quando a cada meia hora três afiliadas da CBN no Brasil inteiro entravam com repórteres ao vivo dando um panorama da votação. Eu era o encarregado dessa tarefa pela CBN Mogi Mirim e foi uma emoção muito grande poder participar desse projeto.
Na Copa de 2002 um fato incrível aconteceu quando eu estava apresentando o Jornal da CBN Mogi. Como a Copa era na Ásia, o jogo das quartas-de-final entre Itália e Coréia do Sul estava rolando solto durante o jornal que ia ao ar das 9h30 ao meio-dia.
O som da rede estava no monitor, pois se saísse gol ficaríamos sabendo e informaríamos os ouvintes. De repente, no som do monitor surgiu a tarantela, música que nos remete à Velha Bota.
Imediatamente, no ar, indaguei: será que foi gol da Itália? O Brother, apelido do Daniel Silva, que era técnico de som, colocou a rede no ar e, como se tivesse me ouvido, o Milton Young, que comandava o Jornal da CBN São Paulo respondeu: não, foi gol da Coréia.
Claro que ele não havia respondido para mim, afinal nem me conhecia, mas a coincidência foi tão grande que ficou parecendo que a resposta tinha sido para minha pergunta. Momentos assim jamais serão esquecidos.
Foram anos e anos de emoções, viagens e convivência em um mundo que só se vê pela TV ou se ouve pelo rádio. Deus me deu essa oportunidade e guardo para sempre tudo que aprendi, vivi e conheci.

Unha encravada

Alexandre Redondano e sua esposa Stella Maris A vida nos prega peças, mas também nos oferece amigos para a vida toda. Amigos que mesmo q...