62, 70, 94, 2002...


Em 1958, embora eu já tivesse nascido, não teria como viver as emoções da conquista do título mundial. Tinha apenas um ano e era novo demais para comemorar alguma coisa.
Em 1962, com cinco anos, lembro apenas da final entre Brasil e Tchecoslováquia. Ouvi o jogo sentado na calçada do outro lado da rua, em frente onde foi a alfaiataria do Hélio Sígolo por muito tempo, no rádio Hitachi do meu pai.
O tricampeonato conquistado em 70 foi um marco na minha vida. Eu tinha 13 anos e vi as partidas pela TV.
Lembro que minha casa estava em reforma e meus pais, minhas irmãs e eu ficamos morando no cômodo da frente, onde antes era um depósito do Buraco da Onça e, depois da reforma, virou a garagem e o abrigo de casa. Ali vi todos os jogos, todas as vitórias e vibrei com a conquista do título por Pelé e companhia.
Vinte e quatro anos se passaram até a conquista do tetra em 94 nos gramados norte-americanos. Mas, as cinco copas entre uma conquista e outra foram intensamente vividas por mim, cada uma com suas peculiaridades.
O penta, em 2002, vi em Mogi Mirim, onde morei por 10 anos. Vibrei com os gols de Ronaldo e as jogadas de Rivaldo, um craque que vi chegar no Mogi Mirim e acompanhei até alcançar o sucesso na Espanha, primeiro no La Coruña e depois no Barcelona.
Mas, apesar de não ter visto a Copa de 58, talvez tenha sido aquela que gostaria de ter visto. Sou saudosista e com certeza a década de 50 é aquela que eu gostaria de ter vivido.
Tenho certeza que foi um tempo repleto de romantismo, de pessoas de bem. Um tempo em que havia mais interação entre as pessoas, mais respeito e, principalmente, mais valorização do ser humano.
Não vivi aquele tempo, não comemorei o título de 58, não vi Bellini erguer a taça. Mas quando o capitão foi embora desse mundo e o cortejo parou em frente a casa onde seus pais residiam, na José Bonifácio, onde hoje está a Relojoaria Lalo, algo me tocou e pude me sentir como se estivesse retroagido no tempo e preenchido essa lacuna que sempre senti.
Talvez eu trocasse todas as emoções sentidas nos quatro títulos seguintes pela chance de ter visto e me emocionado com aquele momento único. Esse talvez seja o motivo principal de minhas constantes pesquisas sobre aquela Copa disputada em gramados suecos.

Passagens e personagens da vida


Mariane e Eliana, meus dois amores
Sempre acreditei que a vida é como uma roda, a cada virada que ela dá um novo ciclo se apresenta. E, em cada ciclo, novos personagens e novas emoções nos remetem a sensações que nem imaginamos que um dia iríamos viver.
Não que eu seja um ser repleto de personagens ao meu redor, mas minha roda da vida também girou e trouxe momentos e pessoas.
Quando somos jovens, cada encontro, cada namoro, cada momento se torna um motivo para que a vida seja bela e o coração dispare. O turbilhão de emoções transforma cada segundo em uma eternidade que desejamos que jamais termine.
Mas, a vida é bela, e o tempo é o senhor da razão. Ele passa, as pessoas passam, os personagens mudam e a vida segue.
Posso afirmar, com todas as letras, que emoções nunca me faltaram, desde as mais belas até as que se desfazem tal qual um torrão de açúcar em contato com a água. Mas, o que seria de nós sem essas sensações deliciosas e, ao mesmo tempo, cruéis?
Meu tempo passou, já dobrei, faz tempo, a casa dos cinquenta, marco regulatório para a vida, sinal de que a dobra da curva da existência já se inclinou para o outro lado. E, quando esse marco é atingido, acredito que é sinal que devemos viver intensamente o que a vida nos reserva para os momentos finais, a conclusão da história, o ápice de tudo que chamamos de existência.
Mas, será que o jeito é sentar e esperar o tempo passar? Ou a vida nos reserva o que há de melhor para os momentos finais desse filme?
Não me pergunte a resposta, pois não saberia dizer com propriedade. Só sei que a virada da curva dos cinquenta tem me proporcionado o que há de melhor.
Ser pai depois dos cinquenta, poder viver intensamente tudo isso e ver que só se é gente de verdade quando se é pai. Mas, será que isso basta?
Claro que não. Deus sabe o que faz e, mais dia menos dia Ele coloca em nossas vidas os personagens certos.
Ele colocou um anjo chamado Mariane que transformou minha vida e me fez ver o quanto é importante se dedicar a um ser tão indefeso e, ao mesmo tempo, tão forte para nos mostrar o caminho verdadeiro da vida.
Se não bastasse, ao ver que eu era uma pessoa triste, que se dedicava a fazer as outras pessoas felizes, me deu um presente que quero guardar até o fim da minha trajetória nesse mundo. Colocou no meu caminho um anjo chamado Eliana, um ser especial, capaz de tudo para me ver feliz e que entrou em minha vida para mostrar que vale a pena viver e ser feliz.
E assim, com o espírito repleto de alegria, só posso afirmar que a vida é feita de passagens e personagens. Passagens que guardamos como experiência de vida, personagens que quando menos esperamos preenchem nossa vida e nos fazem querer que fiquem até o final desse filme chamado existência.

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Alexandre Redondano e sua esposa Stella Maris A vida nos prega peças, mas também nos oferece amigos para a vida toda. Amigos que mesmo q...