Medo de morrer

A vida segue e Deus está sempre no comando
Você tem medo de morrer? Eu não, mas já tive e muito.
Lembro da minha adolescência, quando meu maior temor era o fim do mundo. Só de pensar que o mundo iria acabar no ano dois mil e que eu iria morrer aos 43 anos já ficava sem dormir.
O ano dois mil já vai longe, ficou na saudade e continuamos aqui, firmes e fortes, rindo a cada anúncio do fim do mundo. Final dos tempos, morte, fim de uma era... tudo isso só a Deus pertence.
Mas, voltando ao meu temor de adolescência, confesso que não foi fácil superar aquele trauma. A cada noite, na hora de dormir, era um Deus nos acuda.
O medo batia e eu me encolhia todo na cama, envolto na coberta, da cabeça aos pés, como se isso fosse me livrar de todos os males. Custava pegar no sono, mas quando o dia clareava tudo passava e a vida seguia.
O tempo passou, vi o terceiro milênio começar no primeiro dia de 2001 e continuo aqui nesse mundo. Já vi muitas transformações, menos aquela anunciada naquele desenho dos Jetsons, que mostrava as pessoas trafegando em carros voadores.
Mas, se pensam que essa agonia acabou, estão todos enganados. Hoje quem sofre com isso é minha pequena.
Não que tenha medo do fim do mundo, mas seu medo é que eu parta desse mundo e que ela fique aqui sem o pai. Sua angústia é compreensível pelos laços que nos une.
Desde que se conhece como gente é o pai que procura para tudo, seja na hora de conversar, de brincar, de estudar, de rezar, dormir ou acordar. Assim como ela é a minha companheira de todas as horas, eu sou seu companheiro para tudo.
Sempre deixo claro que um dia todos nós iremos embora desse mundo e que, se Deus a colocou em minha vida quando eu já tinha dobrado a esquina dos 50, é porque me confiou uma missão importante. E que sou irei embora quando essa missão estiver cumprida.
Deus sabe o que faz, sempre. Devemos confiar Nele e viver a vida sem nos preocuparmos com a hora da partida, porque quem morre de véspera é o peru.

Matei o Nerso


Nelson Peliche, meu amigo desde os tempos de Prefeitura de Mogi Mirim
Em 1995 iniciei uma nova fase em minha carreira profissional, fui atuar em um campo onde nunca tinha pisado. Pela primeira vez iria atuar no setor de Comunicação de uma prefeitura.
Depois de passar pela TV Mogi Mirim em 91, pelo jornal O Impacto nos anos de 92 e 93 e pela Rádio Cultura também em 93, retornava à cidade de Mogi Mirim para ser o mestre de cerimônias no governo de Jamil Bacar. Seria a primeira vez em que atuaria do lado de lá, ou seja, jogaria no time do poder.
Minha passagem pela prefeitura mogimiriana foi das mais inesquecíveis. Lá fiz grandes amigos e também reencontrei colegas de trabalho de outros órgãos de imprensa, como a Ivana Paula Moreti Mota, que havia sido minha repórter nos tempos de chefe de redação de O Impacto, e dessa vez eu seria seu subordinado.
No setor de Comunicação, além da Ivana e eu, trabalhavam a Márcia Andrade, que cuidava da parte publicitária, e os fotógrafos Marlene do Carmo e Nelson Peliche. Rapidamente me integrei ao time e me senti em casa pela receptividade que tive.
Mas, o personagem dessa história é exatamente o Nelson, um excelente profissional na área da fotografia. Naquela época seu filho, Felipe, havia nascido, e um ganho extra era sempre bem vindo.
Como também sabia manejar filmadoras, convidei ele para trabalhar comigo em um projeto que iria cobrir a final da Copa Itapira daquele ano, envolvendo Paulista e Unidos dos Prados, no estádio Chico Vieira, O projeto, ousado, consistia em filmar o jogo com três câmeras, uma central e duas colocadas de forma estratégicas para mostrar os lances de ataque.
Naquele tempo o estádio tinha apenas as arquibancadas cobertas e a cabine modesta de imprensa e foi nela que montamos nosso aparato com quadro de força e cabos de energia para alimentar as câmeras. Em uma delas, colocada na área do gol do fundo, aquele perto de onde ficava o antigo bar, estava o Nelson, que eu sempre chamei de Nerso.
Antes do jogo começar, mas com as torcidas já ocupando as arquibancadas, principalmente a torcida do Unidos, numerosa e barulhenta, que estava postada justamente ao redor de onde estava a câmera que ele iria operar, fomos fazer um teste para aferir os equipamentos.
Com o Nerso já postado em seu equipamento, foi dado o sinal para que eu ligasse o cabo na tomada para a energia ligar seu equipamento. E foi aí que tudo aconteceu.
Assim que enfiei a tomada no devido lugar, ouvi uma explosão e corri na janela da cabine e qual foi meu espanto ao ver que no lugar onde estava a câmera o que se via era apenas fumaça. Fiquei branco e com as pernas bambas de tanto tremer so de pensar no que havia acontecido.
Meu pensamento era um só: ‘matei o Nerso’, pensava sem parar. Mas, foi aí que a fumaça se dissipou e pude ver que ele estava lá, firme e forte como sempre.
Só então descobri que a explosão e a fumaça foram produzidas por uma bomba jogada pela torcida do Unidos e que havia causado o barulho e a nuvem de fumaça. Com alívio e a cor de volta ao rosto, fiquei aliviado por ver meu amigo ali, dando sinal de positivo para mostrar que a energia havia chegado até seu equipamento.
Nelson, ou Nerso, é uma das amizades que conservo daqueles tempos e sempre que nos encontramos nos eventos da vida relembramos essa passagem. Amizades assim valem ouro e devem ser conservadas até a eternidade.


Unha encravada

Alexandre Redondano e sua esposa Stella Maris A vida nos prega peças, mas também nos oferece amigos para a vida toda. Amigos que mesmo q...