Garantia de diversão e solidariedade

Equipe 6 em 15, uma das participantes da Gincana 30 Dia, bons tempos

Na década de 80 o Sábado de Aleluia era mais que o dia reservado para a religiosidade ou para malhar o Judas. Quem gostava de agitação sabia que o Parque Juca Mulato estaria repleto de jovens e crianças, que buscavam lazer e diversão.
Quem não se lembra da Gincana 30 Dia, promovida por jovens que integravam o 30 Dia Sport Showpp. Lembro que a agitação começava bem antes, quando as equipes recebiam a tarefa básica, composta por mantimentos que deveriam ser coletados junto ao comércio e a população e entregues aos coordenadores para depois serem distribuídos nas entidades assistenciais.
Nomes exóticos como 12 Vort, 6 em 15 – que significava metade do 12 Vort e a metade do 30 Dia -, Opus Seis, Ekimáquinas, Aleluia – equipe da Comunidade de Jovens da Igreja de Santo Antonio -, e tantos outros, eram utilizados para dar nomes às equipes participantes. No dia da disputa, devidamente uniformizados, os integrantes de cada equipe saíam à cata das tarefas mais esquisitas possíveis.
Penca de bocaiuvas com maior número de frutos, pessoas com maior número de nomes e sobrenomes, carteira de identidade com combinação de números, entre outras, eram algumas das tarefas que as equipes tinham que cumprir. E tudo dentro de um prazo estipulado pela organização, que também cuidava para que as regras de trânsito não fossem violadas pelos veículos utilizados pelas equipes.
Esse foi um tempo diferente, um tempo em que os jovens se empenhavam para vencer a disputa sem a necessidade de utilizar meios ilícitos ou a violência contra os concorrentes. Um tempo que não volta mais, assim como a Gincana 30 Dia, que felizmente ainda tem um segmento que perdura até hoje, com a realização da gincana da Sociedade Recreativa Itapirense.
O Sábado de Aleluia começava cedo para os participantes, que se reuniam nas sedes para se dirigirem ao Parque Juca Mulato, onde um palanque já estava montado para que os organizadores pudessem dirigir as provas e tarefas. E tudo era transmitido pela Rádio Clube.
A população interagia com as equipes e muita gente auxiliava, ligando para a emissora e dando dicas de onde conseguir essa ou aquela tarefa. Quando a prova era feita no local a diversão estava garantida, pois fatalmente os participantes iriam passar por momentos hilários.
Lembro de muitos jovens que participaram da organização das edições da gincana, como Mino Nicolai, Paulo Lima, Milton Nogueira, José Américo Secolin, João Rogatto, Luis Antonio Paniçolo, João Carlos Caversan, Ronuel Martucci, João Moino, Nino Moscon, Denis Rocha, entre tantos jovens que faziam parte do 30 Dia e se revezavam na produção e na coordenação das tarefas. A disputa era na base do ponto a ponto e muitas vezes havia a necessidade de uma disputa extra para que a vencedora fosse conhecida.
No final, a confraternização entre os participantes acontecia de forma natural, mostrando que a disputa se resumia apenas aos momentos em que as tarefas deviam ser cumpridas. A premiação contava com a ajuda do comércio local, que doava os prêmios distribuídos para as equipes e que geralmente acabavam sendo doados para as entidades assistenciais.
Mais de 30 anos passados e muita gente ainda se lembra de uma prova ou outra. Situações que deixaram muita gente de cabelo em pé ou que levaram a plateia ao delírio, tal a imaginação fértil daqueles que idealizavam as tarefas.
Gincana 30 Dia, um exemplo de dinamismo, interação, diversão e solidariedade, que deveria ser seguido em diversos sentidos. Infelizmente só restaram as recordações de um tempo que já ficou para trás.

Fazenda São Miguel

A casa sede da Fazenda São Miguel,
um lugar inesquecível desde a infância

Alguns lugares marcam nossa vida e nunca mais saem de nossa memória. São aqueles lugares em que passamos momentos inesquecíveis e que gostaríamos de poder rever.
E um desses lugares é a Fazenda São Miguel, no distrito de Martim Francisco, em Mogi Mirim, de propriedade do Brás Cavenaghi. De lá guardo recordações agradáveis de minha infância e que nunca serão esquecidas.
Quando eu ainda tinha seis ou sete anos, nosso passeio de final de semana, quando dava, era ir para a fazenda onde meu tio Osório Severino era o administrador. Casado com tia Jacira, irmã da minha mãe, como bom mineiro, ele sempre tinha uma boa história para contar.
O passeio começava logo nas primeiras horas da manhã de sábado. Antes de clarear o dia já estávamos na estação para esperar o trem que nos levaria até Mogi Mirim e, de lá, em outra composição, para Martim Francisco.
Minha avó Carmela, que sempre ia conosco, chegava bem antes na estação. Com medo de perder o trem, que saía as seis, quando era quatro e meia ela já descia a José Bonifácio em desabalada carreira.
Da estação de Martim até a fazenda era outro trajeto e este era feito na carrocinha guiada pelo primo Beto, filho mais velha da tia Jacira. Mais tarde, quando já dirigia, ele ia com o fusca verde claro do tio Osório e levava a tropa para a fazenda.
Como toda fazenda, a São Miguel possuía belos lugares. A casa da fazenda, de construção antiga, mantinha os traços originais e só era ocupada quando os proprietários estavam presentes.
Meus tios e os filhos José Roberto e Janete moravam na casa destinada ao administrador. Apesar de simples, possuía três quartos, uma sala ampla, um escritório e a cozinha, em um plano mais baixo, que tinha uma porta que dava acesso ao terreiro e ao banheiro.
De frente para a casa existia um pomar com todo tipo de frutas. Desde laranjas de várias espécies até castanha portuguesa e muitas até mesmo desconhecidas para nós, como uva japonesa e uma fruta que chamávamos de pele de moça, mas que mais tarde descobrimos que o verdadeiro nome era lichia.
Do lado direito da casa havia o paiol, um quarto para guardar as selas dos cavalos e outro onde dormia um dos empregados da fazenda. Lembro que bem de frente para a casa existia uma árvore frondosa e embaixo dela um banco de madeira.
Lá atrás, depois do terreiro, havia um galinheiro e um piquete com os porcos. Descendo um pouco mais havia o curral e era lá que íamos cedinho no domingo tomar leite tirado na hora.
Ir para a fazenda era uma festa, um passeio que esperávamos com ansiedade. E quando chegava a hora de voltar de trem eu já ficava contando os dias para retornar.
Guardo na memória esses bons momentos passados naquele lugar e lembro cada espaço da fazenda, os sons noturnos, o despertar do galo, o sabor do leite e das frutas tiradas do pé. Cada passeio a cavalo, cada detalhe da estrada, que passava por baixo dos trilhos do trem e cortava um pequeno riacho.
A vida nos impõe obstáculos, coloca diante de nós em determinados momentos problemas que acreditamos serem intransponíveis e nós passamos por cima de tudo. E isso só é possível graças à força que momentos como esses nos oferecem.
É assim que seguimos nesse mundo. Guardando os bons momentos como combustível para transpor os obstáculos que aparecem pela frente.



Eu vi e vivi tudo isso


Ouvir boa música é um dos privilégios da minha geração
Não há como negar que sou um privilegiado. Afinal, vivi um tempo incomparável, de muitas e boas recordações.
Eu vi a Jovem Guarda, ouvi Roberto, Erasmo, Raul, Led Zeppelin, Pink Floyd, Rolling Stones, Beatles e todos os que fizeram sucesso na década de 60 e até hoje são figurinhas carimbadas em qualquer lugar onde se pede uma boa música.
Ouvi as rádios Mundial e Excelsior. Usei os tamancos do Dr. School.
Comemorei quatro dos cinco títulos mundiais da seleção brasileira. Vibrei com o título da Esportiva em 1969 e os incríveis gols do artilheiro Foraciepe.
Vi Pelé, Garrincha, Didi, Bellini, Ademir da Guia, Rivelino, Gerson, Tostão, Jairzinho, Falcão, Cerezo, Sócrates, Zico, Maradona, Platini, Cruijff, Zidane, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Rivaldo, Romário e Bebeto darem show. Estou vendo Messi e Cristiano Ronaldo dando show.
Trago comigo bons ensinamentos recebidos de meus pais, principalmente no que diz respeito ao trato com os mais velhos.
Sou um dos que viveram a incrível década de 80 e suas músicas inesquecíveis. Curti o Centrão, o Clube XV, a discoteca do Tênis.
Frequentei o Chopão, o Bar do Edifício, o Park Lanchonete no seu auge. Assisti filmes inesquecíveis no Cine Rádio, no Paratodos, no Cine Teatro Américo Bairral.
Comi a pizza do Sebastião Bar, que só de lembrar dá água na boca. Me deliciei com os doces das irmãs Dini e com o churrasco no Brasília Bar.
Vi seriados como Viagem ao Fundo do Mar, Terra de Gigantes, Perdidos no Espaço, National Kid, Ultraman. Assisti Ben Hur, Maciste, Hércules.
Guardo na memória tantos momentos que tenho plena certeza que nunca mais voltarão. Sou feliz? Com certeza!


Unha encravada

Alexandre Redondano e sua esposa Stella Maris A vida nos prega peças, mas também nos oferece amigos para a vida toda. Amigos que mesmo q...