E eu estou aqui para te proteger


Meu bem maior, minha protetora e fonte de minhas forças
A vida de todos nós nem sempre é um mar de rosas. Muitas vezes estamos a ponto de desistir de tudo e, quando menos esperamos, a força para prosseguirmos surge e nos levanta.
O que passamos dentro de quatro paredes como é costumeiro falar nem sempre é do conhecimento de todos. Muitas vezes o destino nos impõe situações que a princípio acreditamos não ser possível transpor.
Mas Deus nunca dá uma carga maior que aquela que suportamos. Se Ele coloca em nossas costas um fardo que achamos ser pesado, certamente sabe que podemos carregar.
Quando minha pequena Mariane tinha cerca de dois anos e meio e já morava apenas comigo, passei por uma situação parecida. Sentindo que minhas forças estavam se esvaindo e que eu estava prestes a entregar os pontos, olhei para aquela figurinha de cabelos cacheados, pura e inocente, e vi que havia um motivo para continuar em frente.
Olhei para ela e, não sei por qual motivo, acabei falando sozinho, sem perceber que ela estava antenada. Da minha boca saiu a frase: ‘o pai só está aqui porque tem você, se não tivesse você o pai já não estaria mais aqui’.
Quando dei conta do que tinha falado, ouvi a mais pura frase que poderia ouvir naquele momento. Olhando para aquele pai cansado de lutar, de dar murro em ponta de faca e prestes a entregar os pontos, disse: ‘e eu estou aqui para te proteger, deita aqui no meu colo que vou te fazer carinho’.
Essa frase nunca mais saiu da minha cabeça. Cada vez que me sinto fraco para a luta, sem forças para enfrentar os leões que insistem em aparecer na minha frente todos os dias, lembro daquele rostinho e da frase que me dá forças até hoje e sigo em frente.
Deus sempre sabe o que faz, sempre coloca as pessoas certas nos momentos certos. E naquele momento era tudo que um pai precisava ouvir para não desistir nunca.
A pureza de uma criança supera toda e qualquer dificuldade. Nem sempre esperamos ouvir algo profundo de uma criança, mas talvez seja porque nunca estamos dispostos a dar ouvidos a ela.


E a calça caiu

Paulo Rogério Tenório, meu colega de jornal e amigo de longa data

Todos nós passamos por situações bizarras e muitas vezes constrangedoras. Situações em que ficamos sem ação, indefesos ante o inesperado.
Quando isso ocorre, fatalmente o rubor da vergonha floresce na face, queremos enterrar a cabeça na terra tal qual uma avestruz. Mas não há como negar que quando o inesperado atinge outra pessoa, o riso também é inevitável por ver a situação que se formou em torno do fato.
Vivi um desses momentos hilários no final dos anos 90 e que nunca mais saiu da minha memória. A cada conversa com o amigo jornalista Paulo Rogerio Tenório aquela cena que presenciamos vem à tona e damos boas risadas.
O cenário é a rodoviária de Mogi Mirim. Nós dois trabalhávamos em Mogi e o retorno para Itapira se dava no último horário do Expresso Cristália, por volta de 23h30.
E naquela noite, que tinha tudo para ser igual a tantas outras, um fato inesperado ocorreu diante de nossos olhos. Algo tão inesperado quanto bizarro.
Na plataforma, à espera do busão que ainda tinha muita semelhança com uma melancia, embora já pertencesse ao Grupo Santa Cruz, Paulo e eu conversávamos, obviamente sobre futebol. Além de nós apenas um grupo formado por quatro ou cinco moças, que também iriam voltar para a terrinha.
Quando o ônibus adentrou na rodoviária e estacionou na plataforma, ficamos esperando os ocupantes que iriam descer em Mogi saírem para depois entrarmos no busão. E foi naquele momento que tudo aconteceu de forma rápida, mas inesquecível.
Entre os passageiros que desciam do ônibus estava um senhor, que deveria ser vendedor, advogado ou algo parecido. Trajava camisa branca, gravata e terno, além de carregar uma maleta tipo 007.
Como era noite e o mesmo, vencido pelo cansaço, devia ter dormido na viagem e, para seu conforto tirado o paletó e desabotoado as calças. Despertado pela parada do ônibus iniciou a descida sem perceber que o inesperado estava mais próximo do que imaginava.
Ainda sonolento, iniciou a descida dos degraus do ônibus para alcançar a plataforma. Em uma das mãos a maleta 007 e na outra o paletó dobrado.
Quando pisou na plataforma a casa caiu, ou melhor, a calça caiu. O pobre, sem ação, e sem ter como se prevenir, já que estava com as duas mãos ocupadas, viu as calças arriadas e a cueca tipo samba-canção branca à mostra.
Ficou ali por alguns segundos, inerte, até colocar a maleta no chão e desajeitadamente recolocar as calças como se nada tivesse acontecido. Foram apenas alguns segundos, mas que para aquele senhor de cabelos grisalhos devem ter durado uma eternidade.
Eu e o Paulão nos entreolhamos ainda atônitos com a cena bizarra e, em respeito aos cabelos brancos daquele senhor, seguramos o riso. Mas, ao ver as moças quase sentadas no chão de tanto rirem, nos rendemos e também caímos na risada.
O tempo passou, mas aquela cena ficou guardada para sempre na memória. O inesperado aconteceu diante de nossos olhos e, para dizer a verdade, ainda bem que foi com ele e não comigo.

Dores da vida


Existem vários tipos de dor. Há as dores físicas e as dores que sentimos sem saber como abrandar.
Quando a dor é física, a cura está no medicamento que utilizamos. Quando a dor que sentimos está no coração, dizem que o tempo é o melhor remédio.
Dores da vida, dores com as quais convivemos em todos os momentos. Mas, por que essa dor que sentimos no coração dói tanto e não conseguimos abrandá-la?
Será que é porque não é o coração que dói, mas o sentimento que temos, lá no fundo, é que nos deixa assim, com aquela sensação de vazio? Um vazio que dilacera a alma e destrói qualquer vontade de viver.
Ah, essa dores que a vida nos impõe. Dores que machucam o cerne do nosso ser, que avassalam as entranhas e perfuram o coração, tal qual uma lança.
Vez ou outra me pego pensando quantas vezes já senti essa dor. O quanto é difícil a cura e quantas são as sequelas que ela deixa.
Quando se é criança, nossas dores são na barriga, quando muito no dedão do pé. Mas quando crescemos e conhecemos as dores do coração, descobrimos que não há bálsamo que as cure e que, por muito tempo, elas insistem em martelar nossa mente e nosso coração.
Quem nunca sentiu esse tipo de dor? Uma dor impossível de se controlar, mas que, segundo os especialistas, só é curada quando um novo motivo para a próxima dor ocupa o espaço deixado pelo antigo.
Dores, dores de barriga, dores no dedão do pé, dores no coração. Dores que nunca acabam e que estarão para sempre, caminhando lado a lado durante nossa caminhada por esse mundo.
Se eu pudesse voltar no tempo, com certeza, faria tudo outra vez, do mesmo jeitinho. E estaria sofrendo as dores da mesma forma.

Unha encravada

Alexandre Redondano e sua esposa Stella Maris A vida nos prega peças, mas também nos oferece amigos para a vida toda. Amigos que mesmo q...