Ah, se eles ainda estivessem por aqui


A Orquestra do Tocha abrilhantava os carnavais itapirenses
Nesse mundo de hoje, em que as músicas de Carnaval já não existem mais e o conceito sobre essa festa popular é totalmente contrário a tudo que o vivemos, como seria bom se pudéssemos voltar no tempo e reviver os grandes bailes carnavalescos de outrora. Seria como um reencontro com grandes músicos da terra e grandes orquestras que davam o tom para os bailes.
Talvez fosse pedir muito ao Homem lá cima para que liberasse, mesmo que por uma noite, alguns dos grandes músicos itapirenses de uma época de ouro. Seria uma forma de oferecer às pessoas que não viveram aquele período maravilhoso uma oportunidade para que pudessem ouvir e descobrir o que é música de verdade.
Fico imaginando se pudéssemos receber por aqui nomes como Antonio Brianti, o Tocha, músico de primeira linha e líder de uma das mais famosas orquestras da região. Com ele poderiam desembarcar, vindo do andar de cima, Alair Toledo de Oliveira, o Ito do Teté; Benedito Avancini, o Naite, dentista e baterista dos bons; Milton Guinesi, violonista de mão cheia; Guido Atílio Cremasco, o Tite Cremasco e seu violino; Aylton Riberti e Aparecido Ampélio Riberti, o Cidão Riberti, cujo sobrenome já diz tudo em matéria de talento musical, e tantos outros que me fogem à memória no momento, mas que contribuíram para que aquele fosse um tempo mágico e inesquecível.
Que bom seria se, pelo menos por uma noite, as orquestras do Clube XV e do Centro Comércio e Indústria se encontrassem na praça Bernardino de Campos e nos enchessem de alegria e nostalgia com clássicos como O Abre Alas, Allah-la Ô, Mamãe Eu Quero, As Águas Vão Rolar, Cabeleira do Zezé, Cidade Maravilhosa, Jardineira, Daqui Não Saio, As Pastorinhas, e tantas outras marchinhas que embalaram nossa juventude e que até hoje permanecem na memória de quem teve o privilégio de viver esse período. Mas, sei que tudo isso não passa de um simples devaneio de quem sente saudade de tudo que foi bom e não volta mais, mas pelo menos restou essa doce lembrança desses verdadeiros artistas, músicos de verdade, que nunca precisaram da mídia para se tornarem conhecidos.
Feliz de quem vai poder ir aos bailes de Carnaval lá de cima, pois é lá que irão rolar as mais belas e tradicionais marchinhas. Como não chegou nosso tempo, nos resta relembrar e engolir as lágrimas de saudade.


Acabou a gasolina


Alonso Geraldo Carmona, preparado pelo professor Gildo Piardi,
venceu a prova e se tornou o único itapirense a conseguir tal feito
No final da década de 80 Itapira era uma cidade que respirava esporte. Eram muitas competições e muitas delas com projeção nacional, como a Mini Maratona Professor Cândido de Moura, que reunia atletas de várias partes do país.
Os corredores enfrentavam morros e pisos diversificados 
O trabalho efetuado pela equipe do DECET (Departamento de Esportes, Cultura e Turismo), comandado pelo professor Oscar Soares de Campos Filho, o Kally, era reconhecido de forma merecida e colocava a cidade nas altas esferas do jornalismo esportivo. E o ponto culminante, sem dúvida, era a famosa corrida de 21 quilômetros, que mesclava em seu percurso trechos de terra com ruas da cidade, até adentrar o estádio municipal Chico Vieira, local da chegada.
Naquela época eu comandava a equipe de esportes da Rádio Clube e a cada ano montávamos um esquema para transmitir a prova do início ao fim. Era trabalhoso, mas muito gratificante.
Tínhamos o apoio da prefeitura, que cedia um Fusca com aparelho de rádio amador para que a prova fosse acompanhada em todo o trajeto. Para que isso fosse possível, uma base era instalada no almoxarifado da prefeitura, onde ficava a torre de recepção do serviço de rádio.
Com a destreza do Jorge Luiz Bonaldo, o som que chegava na torre era retransmitido para o estúdio e de lá para nossa transmissão. E assim tudo que se passava no trajeto era relatado.
Não me recordo o ano, mas lembro que o carro era dirigido pelo meu pai, que ao seu lado tinha o Tuia Pires de Souza, que narrava a prova e no banco de trás o Ademar Hernandes, que carregava a listagem com os atletas, para auxiliar na narração. E assim era possível para o ouvinte saber quem estava na frente e a posição dos demais competidores.
No estádio ainda tínhamos três repórteres no gramado. Lá estavam Léo Santos, Glauco Lauri e Humberto Luchetti, enquanto eu ocupava a cabine do estádio para narrar a volta final e a chegada e tinha no plantão, no estúdio da emissora, o José Roberto Destro, acompanhando e informando os resultados dos jogos daquela tarde de sábado.
Tudo corrida dentro do planejado, até que veio a informação que poderia acabar com todo o trabalho. Segundo o Tuia o carro apresentava problemas e estava ficando para trás enquanto os competidores seguiam na prova.
Nossa sorte foi a presença dos três repórteres, que passaram a entrevistar quem quer que fosse até que o problema fosse resolvido. Mas o tempo passava e nada de o carro ficar bom de novo, até que tudo se normalizou e novamente a transmissão pode continuar até que os primeiros colocados surgissem no portão do estádio e eu passasse a narrar os metros finais.
Mais tarde, já com o trabalho encerrado e satisfeitos com o sucesso, meu pai, o Tuia e o Ademarzinho já conosco no estádio, que fiquei sabendo o ocorrido. O carro que tinha sido destinado para nosso trabalho não tinha sido abastecido e a gasolina acabou no meio do percurso.
Passado o susto e agradecidos pelo sucesso da transmissão, só nos restou sentar no Chopinho e comemorar nossa vitória. O vencedor da prova? Confesso que não lembro quem foi, mas naquele instante nada importava, somente o fato de termos concluído mais uma façanha nas ondas do rádio.

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Alexandre Redondano e sua esposa Stella Maris A vida nos prega peças, mas também nos oferece amigos para a vida toda. Amigos que mesmo q...