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| Beto Passarella e Adilson Ravetta, dois grandes carnavalescos |
Tudo começou com o Broskio da Negada. Um bloco
carnavalesco criado em meados da década de 70 e que pode ser considerado o
ponto de partida para a era de ouro do Carnaval de rua de Itapira.
Abro alas para o samba enredo da Unidos da Nove de Julho de 1980
Formado por jovens da época, o Broskio era a
grande atração do carnaval itapirense naquela época. Sua contribuição para o
crescimento da festa popular na cidade é inestimável e foi dele que nasceu a
inspiração para a criação de escolas de samba.
Na segunda metade da década de 80 o Carnaval de
Itapira era tido como um dos melhores da região. Suas escolas de samba
disputavam, ponto a ponto, as notas dos jurados e o título de campeã.
Essa disputa, nem sempre saudável, fazia com que
a cidade se transformasse no centro das atenções. Quem morava em outra cidade
vinha para os bailes, para desfilar nas escolas ou simplesmente assistir aos
desfiles.
Era o tempo da Unidos da Nove de Julho,
Imperatriz da Santa Cruz, Acadêmicos da Vila Ilze, Mocidade Alegre da Vila Boa
Esperança, Mocidade Unida da Vila Bazani e outras menos votadas. Aliadas aos
blocos dos Bichos e Nheco, levavam multidões às arquibancadas da praça
Bernardino de Campos.
Adilson Ravetta, Gordo Moraes, Fifo, Bujija,
Neguinho, Claudio Maria, Paulinho Manha, Mano Colferai e tantos outros nomes
eram as estrelas maiores desse espetáculo que culminava com a apuração na noite
de quarta-feira de Cinzas, na Casa da Cultura João Torrecillas Filho.
A partir do início de janeiro as escolas buscavam
o que havia de melhor no que diz respeito a passistas, músicos, cantores e
alegorias com o intuito de vencer a disputa. Colocavam seus blocos na avenida
as escolas como Nove de Julho, Imperatriz da Santa Cruz, Mocidade Alegre da
Vila Boa Esperança, Acadêmicos da Vila Ilze, Unidos da Vila Bazani e outras
menos votadas.
A multidão que lotava as arquibancadas montadas
na Praça Bernardino de Campos delirava durante a passagem da escola preferida.
Sem falar do Bloco dos Bichos e suas sátiras e a Banda do Nheco, que nasceu na
década de 80 e ainda hoje encanta crianças e adultos.
A disputa das escolas era tão intensa que a Rádio
Clube de Itapira dedicava boa parte de sua programação na divulgação das
escolas e seus sambas de enredo. Os programas Clube do Ouvinte, do Dácio
Clemente, pela manhã, e Super Plá, comandado por Paulo Marin, à tarde, atendiam
ouvintes pelo telefone e entre as músicas pedidas estavam os enredos das
escolas locais, normalmente gravados em estúdios profissionais.
Sem contar que à noite a emissora abria espaço
para os programas carnavalescos comandados pela Conceição Pavezzi Dantas, que
entrevistava dirigentes, passistas, costureiras e quem quer que fosse, desde
que estivesse envolvido na folia. A audiência era maciça devido ao grande apelo
popular que o Carnaval sempre teve na cidade.
Itapira, naquela época, vivia de forma intensa o
Carnaval. Mas tudo isso acabou ficando no passado. O Carnaval de rua também
perdeu o encanto. As arquibancadas, apesar da gratuidade, só lotam nas noites
em que a Banda do Nheco se apresenta.
As escolas fecharam suas portas e apenas algumas
insistem em desfilar, mais pela garra de alguns abnegados. A Rádio Clube,
apesar de transmitir os desfiles, quando eles ocorrem, não enfatiza mais o
Carnaval em sua programação, mesmo porque não há o que divulgar ou quem
entrevistar.
Abro alas para o samba enredo da Unidos da Nove de Julho de 1980
Escola de Samba
Unidos da Nove de Julho
Samba Enredo –
Carnaval 1980 – em homenagem à Milton Guinesi
Autoria – João
Adilson Ravetta
Interpretação –
Luiz Hermano Colferai
Por trás de uma
nuvem que passa
Um lindo acorde
soou
Do céu
transparente em fumaça
Um violão
desabou
E caiu
Caiu,
ninguém viu nem ficou
A saudade
que Milton
Guinesi
deixou
E o Dó
O Dó é
de quem dorme em prece
mas nunca se
esquece
do seu violão
O Ré
O Ré diz que reina no céu
Lá junto com
Noel
e ainda faz
canção
E o Mi
No Mi o
milagre da vida
que vem na
avenida
hoje é celestial
E o Fá
Com Fá
faço a fantasia
cheia de alegria
neste carnaval
E o Sol
O Sol vai
nascer quarta feira
e cidade inteira
não vai mais cantar
No Lá
lacrimado estará
quem aqui não
esta e não pode voltar
E o Si
O Si e
o sinal de orgulho
que a nove de
julho
no samba mostrou
manchando essas
notas de encanto
de vermelho e branco o sambista cantou.

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