Um solo de guitarra

Walter Becker, guitarrista do Steely Dan, e seu incrível solo em Do it Again
Minha mãe costumava afirmar que um perfume e uma música a gente nunca esquece. O tempo pode passar e as lembranças irão permanecer para sempre e cada     que ouvirmos aquela música ou sentirmos aquele perfume irão aflorar em nossa mente.
E não é que a ‘véia’ tinha razão. Toda vez que ouço uma música ou sinto um perfume vem à tona o momento em que ouvi ou senti pela primeira vez.
Mas, deixando o perfume de lado, acredito que sou um privilegiado, pois nasci e cresci em um tempo recheado de músicas que ficarão para sempre. Um tempo em que o bom e velho rock’n’roll dava o tom.
Costumo afirmar que as músicas de hoje, pobres em todos os sentidos, desde a melodia até a letra, passando pelo sentimento e a voz de quem interpreta, deixam a desejar. Gosto não se discute, ninguém tem culpa de ter nascido em um tempo tão pobre de boas músicas, mas bem que esse povo poderia ouvir o que já se fez lá atrás para ganhar um pouco de inspiração.
Como é bom poder ouvir o solo de guitarra de Walter Becker da banda norte americana Steely Dan em Do it Again, lançada em 1972 e que alcançou a posição de número seis nas paradas americanas no ano seguinte, segundo a revista Billboard. Ou a obra prima da banda sul africana The Square Set, que em 1969 lançou Thats What I Want.
Cito essas duas como poderia citar tantas outras canções inesquecíveis, como I Shot The Sheriff, lançada em 74 pelo britânico Eric Clapton; ou Bad Love, do mesmo Eric Clapton, e o que falar de Walk Alway, da banda americana James Gang, lá do início dos anos 70, que tinha Joe Walsh na guitarra. São canções inesquecíveis e que nunca irão morrer para quem viveu esse tempo mágico.
Hoje, quando vou a um show de rock, sei que quem está no palco só está ali porque tem competência, pois se errar uma nota, quem gosta e conhece rock vai notar na mesma hora. Respeito o gosto de cada, até mesmo de quem prefere o que se produz hoje e daqui dois ou três meses já desapareceu, mas não abro mão do meu bom gosto e da satisfação de ouvir o bom e velho rock’n’roll.
Esse gosto musical devo a dois grandes amigos da adolescência, pois foi com eles que aprendi a gostar desse tio de música. E cada vez que ouço uma dessas obras primas imediatamente volto no tempo e lembro de Plininho Cresmasco e Rudyard Trani, dois grandes amigos, dois profundos conhecedores da boa música.

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