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| 'Seo' Parízio e seu carrinho de guloseimas, uma tentação na porta da escola |
Quem já dobrou a esquina dos 50 sabe do que estou
falando. No meu tempo de infância e no dessa gente toda também, o aprendizado
adquirido nos quatro anos de Grupo Escolar era a base de tudo.
Fiz meus quatro primeiros anos de escola no Grupo Escolar
Dr. Júlio Mesquita. Ali, naquele imponente prédio de dois andares na esquina da
Campos Salles com a Ribeiro de Barros, bem de frente para o Parque Juca Mulato,
aprendi meu be-a-bá e as primeiras regras de aritmética.
Todas as manhãs eu subia os degraus do escadão da
Ladeira São João, atravessava a rua ao lado da casa do padre Henrique e
ingressava no mundo do saber. Foram quatro anos que jamais serão esquecidos,
assim como as professoras e demais pessoas que gravitavam naquela casa de
ensino.
Naquele tempo, bem diferente de hoje, as professoras
eram respeitadas pelos alunos. Eram vistas como se fossem uma extensão de
nossas casas e só faltava pedir a bênção para elas para que ficassem em
igualdade de condições com nossos pais, tios e avós.
Não havia vandalismo, pichações ou depredação
daquele que era nosso segundo lar. Professoras, diretores e funcionários eram
tratados com respeito, não sofriam pressões, desacatos ou agressões por parte
dos alunos, fatos tão comuns em tempos atuais.
Recebi ensinamentos que guardo até hoje de
professoras como Ismaelina Proença Pinto, Genny Piva Zázera, Gilmere
Vasconcellos Pereira Ulbricht e Ivone Pegorari Vieira. Cada uma do seu modo,
mas sempre com o intuito de dar aos alunos a base para os anos seguintes e para
a vida toda.
Outros personagens, que embora não atuassem no
ensino, também deixaram suas marcas em minha memória. Um deles ficava ali, na
beira da calçada com seu carrinho recheado de guloseimas e sempre que ganhava
uns trocados de meus pais eu me deliciava.
‘Seo’ Parízio, que na verdade se chamava Barizio
Calil, vendia a melhor raspadinha que já experimentei. Sem falar de delícias
como quebra-queixo, amendoim salgado, pipoca, doces, pirulitos e os famosos
doces com segredinhos, que traziam um anel como brinde.
Além de marcar ponto na frente da escola, ‘seo’
Parízio vendia seus produtos na porta do Cine Rádio, na XV de Novembro, bem
pertinho de casa. Quem frequentava o cinema sempre dava uma paradinha em seu
carinho, na entrada ou na saída, depois de ver a ‘fita’.
Na cantina da escola, sempre pronto para atender os
alunos, a bondade e a alegria constante ficavam por conta do ‘seo’ Evilásio
Avancini. Embora ele não tivesse sido o proprietário da cantina nos meus tempos
de Júlio Mesquita – veio algum tempo depois – lembro muito dele por causa do
armazém que mantinha na frente de sua residência, na XV de Novembro, no mesmo
quarteirão do Cine Rádio.
Pessoas assim nunca deixam nosso baú de memórias,
são guardadas para sempre em nossas recordações e lembranças. Lembranças de um
tempo que já vai longe, mas que permanecem incólumes em nossos corações.

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